SASSASA

1990 Carlos Flores / Disconorte

O POVOPaulo Flores

O povo qu´é da vaiola que mexe remexe que baila
O povo que xinga vaia é quem é que simula que grita
O povo que se revela com o top dos mais queridos
Ela mexe e remexe mah
Ela grita ela ajuda, ela
Kulukutu kulukutu uá uá
Kizomba kizomba kizomba uá uá
Kizomba kizomba uá uá
Kizomba kizomba kizomba uá uá
Kizomba kizomba uá uá
O povo que se revela com o top dos mais queridos
Ela mexe e remexe mah
Ela grita ele ajuda ela
Kulukutu kulukutu uá uá
Kulukutu kulukutu uá uá
Kulukutu kulukutu uá uá
O povo no Carnaval larga o turuku de fora
O povo se lamentando com a desforra de um mano
O povo que estremece com as chancas da garina
Ela mexe e remexe mah
Ele simula ela diz que dá
Kulukutu kulukutu uá uá
Kizomba kizomba kizomba uá uá
Kizomba kizomba uá uá
O Povo que estremece com as chancas da garina
Ela mexe e remexe mah
Ela grita ele ajuda ela
Kulukutu kulukutu uá uá
Kulukutu kulukutu uá uá
Kulukutu kulukutu uá uá

PROCESSOS DA BANDAPaulo Flores e Eduardo Paim

Vou te contar meu camba a vida que eu levo
Garinas assanhadas uma em cada lugar
Missangas nos cabelos, contornos tão belos
Vão remexendo as ancas com a forma de andar
Ai ai ai comigo é diferente, trabuco noite e dia
Esperando o progresso
Ai ai ai bazaram com o meu ruca
Santo António que será do meu processo
Mas também será que vale a pena
Chorar pra que chorar tenho aquilo que mereço
N’gana Zambi foi feliz ao fazer a mulher do meu País
Deu-lhe tudo que um homem quer de uma mulher
Tão bem bela como ela não tem igual
Não tem não
Não tem não
Hum Processos da banda
Não tem não
Não tem não
Ai ai ai me larga o meu vestido
A dama na avenida me chamou de atrevido
Ai ai ai olha a canção do povo
Povo da terra que dança sem saber porquê
Hum hum hum olha o kandegue novo
Com pé na terra pra chutar bola de trapo
Esquemas garantidos, kumbu sempre a entrar
A tia candongueira me faz faturar
Dois rucas no processo e kandengues vendendo
Garinas me envolvendo com o seu balançar
Tão bela como ela não tem igual
Não tem não
Não tem não
Se ela é só ela
Não tem não
Não tem não
Esquemas garantidos, kumbu sempre a entrar
A tia candongueira me faz faturar
Dois rucas no processo e kandengues vendendo
Garinas me envolvendo com o seu balançar
Tão bem bela como ela não tem igual
Não tem não
Não tem não
Processos da banda não tem
Não tem não
Não tem não

SASSASAPaulo Flores

Nasceu num musseque bem pobre
Mas rico de tanta alegria
No meio da bandidagem
Cresceu bongolóló
Um dia já pouco graúdo
Pegou a chifuta de grampos
Moveu-se dali pra kitanda
Pra pedir um kilo a bessangana
Quando chegou no mercado
Botou-se de lado dançou cabetula
Veio o estrondoso deu-lhe uma bassula
Malhou que malhou mano bongolóló
Sereno depois da derrota
O madié arrota ajeita a farpela
Depois ele apressa o passo de gazela
Não quer mais conversa com dama donzela
Depois desculpa que é casado
Todo babado que tem um kandengue
Que dança vaiola, kizomba e merengue
No sono da noite ele fica acordado
Então, Sassassa
Chora nénem, acorda Maria
Chora nénem, acorda Maria
Chora nénem, acorda Maria
Um dia o bongolóló saiu
Pra curtir um cochito
Pega um pito e baila um bocado
Põe-lhe de lado e faz um bonito
Depois quando já está tonado
Diz que é casado que tem um nénem
Mando um coro já meio enrolado
Mas todas as noites o sono não vem
Então Sassassa
Chora nenem, acorda Maria
Chora nénem, acorda Maria
Chora nénem, acorda Maria
Um dia o bongolóló
Saiu pra curtir um cochito
Pega um pito e baila um bocado
Põe-lhe de lado e faz um bonito
Depois quando já está tonado
Diz que é casado que tem um nénem
Mando um coro já meio enrolado
Mas todas as noites o sono não vem
Então Sassassa
Chora nénem, acorda Maria
Chora nenem, acorda Maria
Chora nénem, acorda Maria
Chega em casa o sono não vem
Acorda a Maria
Depois pede pra acordar o nénem
Acorda a Maria

AKA DIA KWAPaulo Flores

Sábado tem trumunu
Lá nas bandas do Sambila
Naquela bola de trapo vamos recordar
Nosso tempo feliz de outrora
Um n`guiku bate com n`guzu
Oko nhôko olo kuata
A quem também quiser pancar
Nossa ngonguenha saudade
Cely, Cely estilou com o sapato marra-marra
Colou mini-saia no corpo deixou de fora as kinamas
Nezy, criou um penteado saloico
Logrou usar um vestido que tinha um decote maroto
Kambuta traz a kivita
Uma mulata fobada
Devota de Santa Rita
Pra se esticar na passada
Kandegues Dona Rosinha
A geração que perdura
Jogavam carimpipinha
Jogavam caribassula
Aka dia kwa lá fora tem mais kizomba tem
Aka dia kwa que Angola festeja sua alegria
Aka dia kwa

PORQUE CHORA O PIÓPIÓPaulo Flores

Porque choras piópió se o mais velho está contente
Diz que Luanda está boa está melhor do que Lisboa
Diz que é mesmo independente
Mas porque choras piópió se as promessas
Reinam no ar em Luanda
Se já passou a dipanda se o povo é que manda,
Porque choras piópió
Porque choras piópió se a malta está unida,
Se a guerra foi banida se a luta está escondida
Porque choras piópió
Porque choras piópió se vives em liberdade
Se és amigo da verdade se só tens felicidade
Porque choras piópió
Porque choras piópió será que tu tens saudade
Daquela felicidade que passou com a idade
Que recorda a tua avó
N’gana Zambi piópió tu com a tua ingenuidade
Terás mais capacidade de lutar pela verdade
Chora mesmo piópió
Piópió piópió...

MULATAPaulo Flores

Me fala só dessa mulata, da areia da praia
Me fala só dessa mulata, da areia praia
Mulher com olhar de menina (mulata)
Barona, pedaço, garina (da areia da praia)
Eu vou me estilar para ela (na areia da praia)
Me disseram que é de Benguela (da praia morena)
Me fala só dessa mulata (da areia da praia)
Me fala só dessa mulata (da areia praia)
Minhas nangas estão aflitas
Dibotaram pra valer
Vê se ficam mais bonitas
Pra eu esquecer essa mulher
Me fala só dessa mulata (da areia da praia)
Me fala só dessa mulata (da areia praia)
Eu vou marinhar essa dama (na areia da praia)
Mostrar meu pedaço de fama (na areia da praia)
Vou-lhe apanhar na esquina (a essa garina)
Vou-lhe dar um coro bonito (coxito)
Me fala só dessa mulata (da areia da praia)
Me fala só dessa mulata (da areia praia)
Quando passa pela rua
Todo o mundo fica a toa
Tem sorrisos de alegria
E cacusso com gimboa
Crianças brincando (na areia da praia)
Avilos cantando (na areia da praia)
Mais velhos recordando (mulata)

N'GULOPÉPaulo Flores

Entrou na boda
Com o seu olhar bofocado
Um pouco tonto
Rapaz já estava bem dado
Sentou na mesa
Não ligou pra mais ninguém
Comeu de tudo
Muféte, funge, dendém
Empanturrado
Meteu-se então na cerveja
Caiu pro lado
Espampalhou-se na mesa
Quem lhe acudiu
Foi o Trovão capataz
Lavou-lhe a cara
E despertou o rapaz
Muito assustado
Meteu-se logo de pé
O povo todo ai gritou
N’gulopé
N’gulopé, n’gulopé
N’gulopé, n’gulopé
Voltou pra mesa
Criou nova confusão
Comeu de tudo
Muféte, funge, feijão
Bebeu kissangua
Bebeu também caporroto
Xiça rapaz
O madié estava bem roto
Muito espigaddo
Meteu-se então com o Zé
O povo todo ai gritou
N’gulopé
N’gulopé, n’gulopé
N’gulopé, n’gulopé
Voltou pra mesa
Criou nova confusão
Comeu de tudo
Mufete, funge, feijão
Bebeu kissangua
Bebeu também caporroto
Xiça rapaz
O madié estava bem roto
Muito espigado
Meteu-se então com o Zé
O povo todo ai gritou
N’gulopé
N’gulopé, n’gulopé
N’gulopé, n’gulopé

CHIBATAPaulo Flores

Chibata nasce do vento
Chibata persegue o tempo
Chibata bate na gente
Gente que chora no tronco
Irmãos de sangue lutaram
Alguns ficaram na história
Outras cabeças esquecidas
Naquela batalha que ainda não terminou
Aos jovens eu me destino
Aos cotas eu me relembro
Eu sou um poço de tinta
Que escreve a história manchando o papel
Escritor de velhas batalhas
Cantor da nova esperança
Talvez não deva falar, talvez não deva cantar
Todo aquele sofrimento que ainda hoje é
Recordação de momentos
Por isso canto salsa, para disfarçar a dor
Por isso canto salsa, para esquecer
Todo o eco que faz essa chibata
Nomes pra quê citar
Choro pra quê chorar
Se eu olho minha velha avó
Chorando de emoção por tráz de uma janela
Esperando regressar
Talvez eu tenha um filho
Talvez eu venha a ser pai
Mas juro por amor
Não deixo essa chibata rasgar seu coração
Fazer sangrar seu peito
Minha Mãe chorou
Meu Pai também quase que morreu
Todos vocês cotas
Estudaram a lição daquela professora
Vida nossa chibata
Vida nossa chibata
Por isso canto Salsa, para disfarçar a dor
Por isso canto Salsa, para esquecer
Todo o eco que faz essa chibata