EXCOMBATENTES REDUX

2012 Paulo Flores

CABOLEDOPaulo Flores

Na minha terra tem mágoas e sonhos
Na minha terra tem a Thunda Vala
Tem o sofrer de um puto que cala
A dor do seu peito no anoitecer da sanzala
Jójó da Gabela Marito Maiuca
Funge no prato e serve a Marcela
Caboledo sem medo um dedo
Saio cedo pro salo
E as duyas que galo nada me arrepia
Nada poderia
Assim não dá não dá mais pra esquecer
Esquecer meu Dombe Grande minha Caotinha
Na minha terra tem uma praia que é Morena
Tem um mais velho caté me dá pena
Vira não vira tentando esquecer a pequena
Que lhe trocou por um outro mais puto
Foi pra Maputo com ele viver um copera

DIARABIPaulo Flores / Paulo Flores e Ciro Bertini

Diarabi oh meu amor diarabi diarabi
Icuma é só um cansera na acaba
Aonde posso ir oh diarabi diarabi meu amor
E de cabeça canto antes que me esqueça
Que de origem nem sou norte-americano
Oh filha alheia oh minha Palestina
Oh bomba atómica lá na Coreia
Até Nierere oh meu pan-africanismo
Nadie e ecutado nuestra canción
Kidi muene tu fua muene
Kidi muene tu fua muene

HOJI YA HENDAPaulo Flores

Eh Hoji Ya Henda grande herói da banda
Nem viu tanta incerteza Hoji Ya Henda
Eh hoje há festa no bairro Hoji Ya Henda
Tem lá muita promessa Hoji Ya Henda
Até o obrigatório recolher obrigatório
Até o obrigatório já acabou
O obrigatório já acabou
Eh hoje há festa no bairro Hoji Ya Henda
Tem lá muita promessa Hoji Ya Henda
Hoje tudo é tato hoje tudo é mulato
Hoje tudo é facto amanhã volto pro mato
Até o sanatório do Papa Kitoko
Até o sanatório já falhou
O sanatório já falhou

CAMARADA KILL BILLPaulo Flores

Camarada Kill Bill eu estou na estrada eu estou na maré
Com a geração da cocaína geração Afeganistão
Explícita
Camarada cumé o pé é a sobra da mão
Camarada João o céu é o chão da menina
Camarada Kill Bill
Kill Bill da vizinhança toda
Camarada veja só tanta gente estúpida
Mo brother minha condição é púrpura
Assim caiu nas mãos erradas
Sanfoneiro quinze dias na rda
Mukua que o Imbondeiro dá

FELA NO MARÍTIMO DA ILHAPaulo Flores

Marítimo da Ilha o que é que tem não vem
Avisa pra eles que eu sou da família
Eu sou do marítimo da ilha é pra lá que eu vou
Pra lá do fatídico pra lá do infinito
Eu sou do fundo da ilha eu sou do abraço explícito
Fugia da escola pra tocar viola
Eu sou da sanzala mas sou educadíssimo
Então eu sou da cidade eu sou da Xicala
Eu sou do operário do Bairro Operário
Sanzala global que quase fala do vício do ócio
Da promiscuidade e fala e Fela
Felakuteando na cidade onde eu só mereço
Uma vela uma namorada e a cidade
Felakuteando na Sanzala na nossa batida há
Há muito quem diga má, queima…Queima
Queima fogo queima há tanta necessidade
Nessa minha buala
Queima fogo queima há tanta necessidade
Nessa minha Sanzala

PÉ NA LAMAPaulo Flores

Tenho o pé na lama tenho a boca na cama e o pé no chão
Tenho a cara cheia da vida alheia da vida alheia
Tenho o pé na lama e se ela me ama porque não fica
Porque ela vai
Porque ela vai sempre
Tenho o pé na lama tenho a boca na cama e o pé no chão
Tenho pouca sorte muito pouca sorte irmão
Tenho o pé na lama tem quem diz que me ama e não me tolera
Ai quem me dera que eu só fosse um corpo tonificado
Retrato estereotipado suportado no progresso
Meu amor não vá longe de mim dói no meu peito dói
Ondas de ficar aqui…
Tenho o pé na lama tem quem diz que me ama e não me tolera
Ai quem me dera que eu só fosse um corpo tonificado
Retrato estereotipado suportado no progresso
Tenho o pé na lama tenho a boca na cama e o pé no chão
Tenho pouca sorte muito pouca sorte irmão

PARABÓLICAPaulo Flores / Ciro Bertini

Essa dor que tenho é essa dor que tenho
É donde sou e de onde venho
É ssa fé que dou
Outra simplesmente ou noutra melodia
Ou minha mãe ou minha cidade
Tempo para o amor tempo para a liberdade
Essa flor essa necessidade
De inventar o amor
Habla me habla me
Habla me de amor oh parla me de amore
Oh minha musa oh minha tusa
Essa voz que dou é essa voz que sou
A todo o momento em cada parabólica
Outra num altar pensando num amor
Que em outro lugar chora por alguém

SER DA LATAPaulo Flores / Paulo Flores e Ciro Bertini

Sou da água da panela meu consolo são os olhos dela
Pra falar a verdade eu sou da falta
Sou do copo do fracasso eu sou do arroto
Não suporto rato nem esgoto
Nem já as promessas da nossa democracia
Ah mas o dia o dia há-de chegar
Onde eu com os outros do meu país felizes
Ah mera luz que a minha voz reduz
A um pacote de fuba uma ilusão de miúda…
Sou da lata me dá birra fresca vem mulata
Não suporto fato nem gravata
Nem aparelho dentário nem magro salário
Sou do guetto da kisaka eu sou do pincho
Meus canucos continuam no lixo
Meus kubikos continuam no lixo
Ah mas o dia o dia há-de chegar
Onde eu com os outros do meu país felizes
Ah mera luz que a minha voz reduz
A um pacote de fuba uma ilusão de miúda…

RUMBA N'ZA TUKINÉDavid Zé

Emenguené ni kambadiami
Kambadiami dia muhetu
Ngui mutumbulami oh digina dié
Emenguené ni kambadiami
Kambadiami dia muhetu
Ngui mutumbulami oh digina dié
Muene ua zolo oh kitari kiami
Pholo iami uá i zembi
Nguibanga kiebe ngana nzambi
Muene ua zolo oh kitari kiami
Pholo iami uá i zembi
Nguibanga kiebe ngana nzambi
Si nga mubana oh kitari
Galaça mu galaça lelu galaça um galaça
Si ngui mubana oh kitari
Utala ku pholo ué ufika uá xibi madima
Kalumba wandala ndi calú
Wandala sabalalu emé kitari nguendiami
Kalumba wandala di calú
Wandala sabalalu emé kitari nguenhiami
Si wangandala tu nzé ketu
Bosso bosso tu dilhetu bosso bosso tu nzé ka
Si wangisolo tu kaletu
Bosso bosso tu nzé ketu bosso bosso tu dilhetu
Kalumba yo kalumba yo kalumba yo
Muene wandala kukina kué
Kalumba yo kalumba yo kalumba yo
Muene wandala kukina kué
Eh kalumba nzáboba tukiné
Rumba nzá tukiné
Eh tukina dimba dia ngola
Rumba nza tukiné
Oh kalumba wandala ngo quizomba kié
Rumba nza tukiné

MEU AMOR QUANDO ME BEIJAPaulo Flores

Meu amor quando me beija
Meu amor quando me beija
Meu amor quando me beija meu amor
Meu amor quando me beija
Roda no meu ventre come do meu pão
Beija a minha boca pisa no meu chão
Minha cabeça oca minha carne pouca
Corre a casa louca pede o meu perdão
Corre a casa louca pede o meu perdão
Só que o meu amor
Tem vezes que também me beija
E aí a gente fica
Quando o meu amor ou seja…

GEPÊPaulo Flores

Gepê Gepê ficou maiado Lucky Luke matou
A sombra que assobia
Caté caté ganhei coragem
E provei aquela Gajaja que arrepia
Cabé Cabé tinha arte no pé
Me mostrou a Joaninha Namorada e o Cabocomeu
Pedi pedi levei uma tampa lhe pisei de caxexe e ela mereceu
Manrré sanguito Mamborró Milhorró
Um xietu watu valela
Minguito Mamborró é das nónó
Mariana yo
Olo kuato sonye
Na vida eu só peço uma Maria Bonita
Desconsolada ma nada
Na vida eu só peço e serei dela na hora
Pra lhe consolar lhe consolar iyxe mwe
Carimpimpinha
Sou negro da carapinha
Caribaçula
E moro perto da lua
Carimpimpinha
Eu quero amar essa terra agora
Caribaçula
Onde está manazinha foi embora
Pepe pépé que nem sabia que era da Rosita
A Belita que ele ouvia
Dédé Dédé também dizia acho que
Era a Mona Lisa que sorria
Francisco Lolito da Madiana
Meus amigos olha só quem vem lá
Makulusso Combatentes Xongoroi
Chiembinha nessa vida de abuso
Coração matador
Na vida eu só peço um pouco do mundo
Na vida eu só peço
Uma linda melodia um Luis de Morais
Um Gonzaga pai uzalá uté été

SAMBA EM PRELÚDIOVinicius de Moraes / Baden Powell

Eu sem você não tenho porquê
Porquê sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz jardim sem luar
Luar sem amor amor sem se dar
Eu sem você sou só desamor
Um barco sem mar um campo sem flor
Tristeza que vai tristeza que vem
Sem você meu amor eu não sou ninguém
Ai que saudade que vontade de ver renascer nossa vida
Volta querido os meus braços precisam dos teus
Teus abraços precisam dos meus
Estou tão sozinha tenho os olhos cansados de olhar para o além
Vem ver a vida sem você meu amor eu não sou ninguém
Sem você meu amor eu não sou ninguém

EMANCIPADA TERRAPaulo Flores

Oh minha terra tão querida minha mais que amada vida
Oh minha mãe amada minha adorada tiba
Oh minha mãe gentil minha transtornada lida
Oh minha wanna be tão frenética emancipada je
Oh minha Nzinga Mbande um dengue no volante e birra
A minha é de Malange o outro se agita e espirra
Oh minha follow me que eu sou emigrante aqui
Oh minha tão ambi hipotética enclausurada ui

MARAVILHOSO 1972Paulo Flores e Albano Cardoso / Paulo Flores

Tempo de pegar o pão na fila Cisco na telefonia
Bem Amado na tv…na Televisão Popular de Angola
Machimbombo 27 acordeon que ía do Porto até à Samba
Pra levar notícias dos pescadores
O meu pai tinha um Dayatsun cor de camarão em tarde de domingo
E minha vizinha dona Maria Luiza tinha embora uma mania
De usar uma blusa que era o verdadeiro Semba do musseque
E vivia num kubiku tão coxito
Tão coxito que quase ninguém cabia
Eu era bem mais feliz com 20 anos só que não sabia
Tinha uma namoradinha
Que era a moça mais formosa do Bairro Operário
E o facto extraordinário de eu ter nascido
No maravilhoso 1972
Hoje já é sexta-feira volto pra casa acabado
Mas logo eu ligo pra ela vamos dançar esta noite
O Semba o Semba o Semba
O telefone pifou eu parado neste trânsito infernal
A bateria do phone acabou
Eu no meu Ruquinha velho
Que nem tem o tal do ar condicionado
Zula contra a zuata na escola pro passeio eu levo a barona
Pra chupar gelado no Baleisão
Faz tempo mamã faz tempo acredito ainda na nossa geração
Não tenho medo da forma nem dos planos do novo homem angolano
E admiro a nobreza da velha de panos
No silêncio das ruas estreitas do Marçal
Só tenho medo de ser comido devorado engolido
Desactualizado nesse novo século 21
E aquela bola que o Dunguidi batia
Tinha embora outra mania de inventar em mim
A tal da felicidade
Hoje já é sexta-feira volto pra casa acabado
Mas logo eu ligo pra ela vamos dançar esta noite
O Semba o Semba o Semba
O telefone pifou eu parado neste trânsito infernal
A bateria do phone acabou
Eu no meu Ruquinha velho
Que nem tem o tal do ar condicionado

AMBAZé da Minga / Murimba Show

Amba tu exile kue
Kumbi katolomaka mu Luanda
Mona diala kazuela iê
Mona diala mamazé kazuele
Mukonda katenaie
Kinguibanza mamã
Aiuê ngongo
Kinguibanza mamã
Aiuê ngongo
Oh kalunga kiavulo aiuê ngongo
Oh kalunga kiavulo aiuê ngongo