BRINCADEIRA TEM HORA

1993 Discossete

BRINCADEIRA TEM HORA E A HORA É ESSAPaulo Flores

É lindo quando a gente vive sem pensar
É belo quando a gente ama alguém assim
É bom ter o teu ombro pra desabafar
E o cheiro da esperança renascer em mim
Mas foi você quem fez nosso amor terminar
Me fez sentir sem jeito e me tornou ruim
Brincadeira tem hora oh e a hora é essa
Brincadeira tem hora tenha paciência
Brincadeira tem hora oh mon chérrie
Brincadeira tem hora e a hora é essa
Brincadeira tem hora oh mon chérrie
Brincadeira tem hora
Bonito é ver o amor não se esquecer de nós
É belo ver a vida como a gente quer
É bom poder dizer que já não estamos só
É bom curtir o sol a cada amanhecer
Mas quando ela se afasta a chuva molha e traz
O tempo que se arrasta sem lembrar de mim
Apenas a lembrança para nós ficou
E o resto de esperança me deixou assim
As fotos no meu quarto me fazem lembrar
As vezes que te amei e tu me amaste a mim
Por tudo e quase nada a gente se afastou
E tudo o que era doce se tornou ruim
Brincadeira tem hora oh e a hora é essa
Brincadeira tem hora tenha paciência
Brincadeira tem hora oh mon chérrie
Brincadeira tem hora e a hora é essa
Brincadeira tem hora
Brincadeira tem hora
Apenas a lembrança para nós ficou
E o resto de esperança me deixou assim
Por tudo e quase nada a gente se afastou
E tudo o que era doce se tornou ruim
A dor está no meu peito e não me larga mais
Por isso a hora é essa e eu vou cantar assim

OH! MOÇAPaulo Flores

Moça ai ai oh moça
Me dá teu carinho pra ver se adivinho
O que tens pra dar
Moça ai ouça, ouça lá oh moça
Como faço eu pra te conquistar
Diz-me lá oh moça
Já ouvi dizer por ai
Que nem vale a pena tentar
Que por mais que eu faça
Toda essa desgraça nunca vai mudar
Já ouvi dizer mal de ti
Que tu não prestavas pra mim
Mas o amor não escolhe
Me tomou a jeito e me pôs assim
Moça ai ai oh moça
Me dá teu carinho pra ver se adivinho
O que tens pra dar
Ai moça ai ai ai moça
Vou cantar baixinho falar
Com jeitinho pra te conquistar
Moça ai ouça, ouça lá oh moça
Como faço eu pra te conquistar
Diz-me lá oh moça
Toda a gente diz por ai
Que tu não me passas cartão
Moça por favor
Recebe o amor do meu coração
E se algum dia eu conseguir
Afastar de mim essa fossa
Vou dar o amor
Que sempre guardei só pra ti oh moça
Moça ai ai oh moça
Me dá teu carinho pra ver se adivinho
O que tens pra dar
Moça ai ouça, ouça lá oh moça
Como faço eu pra te conquistar
Diz-me lá oh moça

SUZANA MU'HATOPaulo Flores

Vem vem Suzana ai
kotalela kua menino
Suzana Suzana muhato
kutonoca na areia da praia ué
Ié ié Suzana
Ai Suzana ué
Ié ié Suzana
Suzana ué
Gihenda vem chamar
Vem trazer a sereia do mar
Faz n’zambi nandibale
Oh vula mu polo ya suzana ué
Ié ié Suzana
Ai Suzana ué
Ié ié Suzana
Suzana ué
Fico tonto fico à toa
Quando saio com Suzana
Makamba mami ala n’difuba
Olô kiangue monangué

N'GALA N'DIFUBAPaulo Flores

N’gala n’difuba, n’difuba do estrangeiro
N’gala n’difuba, n’difuba do estrangeiro
Ene alengue zuata kiambote
Ene alengue zuata kiambote
Ku gipanguie jiami muhato é no estrangeiro
Ku gipanguie jiamé muhato é no estrangeiro
Maza mwangolé lelo alengue
Lelo a lengue zuata kiambote
N’zambi veja só dama é no estrangeiro
N´zambi veja só garina no estrangeiro
Tirou meu kumbu fiquei sem dinheiro
Tirou meu kumbu fiquei sem dinheiro
Hoje está lá fora e já num quer saber
Sai de farra em farra com um madié qualquer
Eu aqui sofrendo só pensado nela
Enquanto lá fora ela remexe o que é dela
Zambi veja só dama é no estrangeiro
Zambi veja só garina no estrangeiro
Eu a trabucar quase o dia inteiro
Eu a trabucar quase o dia inteiro
Hoje está lá fora e já num quer saber
Sai de farra em farra com madié qualquer
Eu aqui sofrendo só pensado nela
Enquanto lá fora ela remexe o que é dela

TRIBUTO A CABO-VERDEPaulo Flores

Ja no tam crê mas sofrer
Ja no tam crê mas angustia
tam pode aguentar
Ja tam crê viver sem bô
Nos povo ta livanta
Pa um pode gritar mas forte
Liberdade djá um encontra
Espera djá caba
Sodade sodade sodade
Nos povo tam crê chorar
Mas culpod é coraçon
Tem saudade di nha terrinha
Nhos terra pa mod voltar
Sodade sodade sodade

AMORES DE HOJEPaulo Flores

Ai esse amor d’hoje em dia é uma patifaria
Tem moço que só esfrega o osso
E o outro ainda só canga o gesso
Oh esse amor de um dia que se usa agora
São nangas que saem com outros
São outros tantos atrás de nangas
Mas eu já me apaixonei já vivi chorando
Por um grande amor que me abandonou
E assim segui em frente no meu caminho
Fui muito amado e muito amei
Segui firmei meu nome fiquei maduro
Já fui amante amor também
Segui em frente firmei meu nome
E como todos envelheci
Colhi da vida gritei mais forte
Vivi chorando e fiz chorar
Já fui criança cresci na vida
Mudei meu mundo

P'RA SEMPRE EU E TU (SOLIDÃO)Ciro Cruz / Paulo Flores

Solidão eu e tu oh solidão diz pra mim
Se levo a vida ou deixo ela me levar
Se lá fora o vento soprou com ele o feitiço
E o tempo passou sem sequer dar por isso
Outra vez eu tu ambos perdendo o andar do tempo
Vê se a lua está serena e eu depois
Mandarei pôr flores lá em cima e ao despertar
Tentarei te encontrar mais pequenina
Vou tentar solidão oh solidão companheira
Me afastar se a vida enfim mo permitir
E se o mundo ofertar ao homem novo um outro olhar
Cá estarei pra de novo mudar
Solidão quando eu fôr não te esqueças de rezar por mim
Lembra a vida que passei junto de ti
E o silêncio de qualquer outra pessoa que passe na rua
Pois se a porta em que bati foi sempre a tua
Solidão quando eu fôr ai solidão companheira
Da janela do meu quarto vês-me a ir
Com a viola e um pouco de esperança de encontrar
Outra vez meu sorriso de criança
Solidão deixo-te o meu adeus oh solidão conselheira
E se um dia precisares desabafar
Hás-de ter sempre em mim um ombro amigo
Se o acaso do destino nos juntar

CABELOS DA MODAPaulo Flores

Cabelos brancos agora parece que é moda
Toda a garina adora no meio da boda
Cota já não é velho mais novo só vira santo
Madié escuta o meu conselho pinta o cabelo de branco
Usa uma calça comprida uma gravata à maneira
É pra mudar tua vida juro não é brincadeira
Idade passa os quarenta barriga já descaída
Alto bigode nas ventas é o novo modo de vida
Passa um risco de lado põe aliança no dedo
Diz que tens filho casado juro meu não tenhas medo
Tens um kubico na praia e um ruca bem desportivo
Elas não fogem da raia vais ter um lugar cativo
Tenta só pôr vinco na calça ai tenta chérrie anda lá
Usa gravata e põe aliança e a gente diz anda cá
Anda chérrie muda o penteado
E pra dançar xé troca os pancos
Tenta chérrie que eu te prometo
Mas não se esqueça pinta o cabelo de branco
Cabelos brancos eu juro parece brinquedo
Cota não está no seguro gimbuku chega mais cedo
Cabelos brancos de mais barona mendiga
Mais novo não ligam mais ficam com o rei na barriga
Cabelos brancos eu juro ai fazem promessa
Só por um homem maduro que vem do Bairro da Peça
De tentativa de baixo de tiro-liro de cima
Só tem que ter ar de macho isso é que agrada a garina
Tenta só pôr vinco na calça ai tenta chérrie anda lá
Usa gravata e põe aliança e a gente diz anda cá
Anda chérrie muda o penteado
E pra dançar xé troca os panco
Tenta chérrie que eu te prometo
Mas não se esqueça pinta o cabelo de branco

ÚLTIMA GOTAPaulo Flores

Hum minha Angola meu jardim
A tristeza entrou em mim
N’gienda mu palaya
N’gienda mu jasmim
Noites loucas de luar passear à beira-mar
Com aquela morena de boca pequena
Sorriso aberto um jeito esperto
Olhar no deserto kangila a voar
Hum minha ânsia de gritar
De falar pra todo o mundo
Que a saudade está a matar
Que entrou bateu bem fundo
Sinto o cheiro da sereia vejo o bater do sol
Na terra distante sentado a tocar
Desejo constante de regressar na minha cabeça
Preparo a mala ou Bairro da Peça
Ou a thunda vala que assobia para eu voltar
Quando voltar e a paz chegar
Oh com a minha gente de braço dado
Eu vou festejar se e a paz chegar
Oh chorar na Avenida quando chegar
Hum vejo os sinos a tocar
Oh imagino o beija-flor
Os kandegues a brincar
Vejo pétalas em flor
Por isso não vou tentar chorar
Minhas lágrimas não caem mais
A última gota varreu-se no chão
Poeta distante amor e paixão
Um resto de fogo ainda perdura
Na minha esperança
Na minha loucura
Que insiste pra eu regressar
Quando voltar e a paz chegar
Oh com a minha gente de braço dado
Eu vou festejar se a paz chegar
Oh chorar na Avenida quando chegar

PATALAPaulo Flores

Patala n’golokinga kitari kiami
Oh n’golokinga kitari kiami
Kizua nguina n`gakalakala caté usuku
Gabim n`guiami n`guingui kitari
N’gasuela mikima n`ganguangu oh mikima
Tubanga kiebe vamos fazer mais como então
Patala n’golokinga kitari kiami
Oh n’golokinga kitari kiami
Lelu n`gondo n`gondo zuata kiambote
Pala ku zuela ni patala
N`goloiô mubinga oh kima kia N´guitokala
Si meune kandalê n`golo ku mu bana n`gi soco
Si muene kandalê n`golo ku mu bana ibua
Patala n’golokinga kitari kiami
Oh n’golokinga kitari kiami
Ofi ya beji ya bixila kia
Makambamami n`gambedienu
N`gondo banga kiê
Mas o kitari kitari kia muenê kiê
N`guibanga kiê o kitari kia bixilê
N`gala n`ana ana pala kua sassa
Tubangua kiebe oh taleno di vua di ami

NOSSAS KOTASPaulo Flores

Nossas kotas volta e meia dão a volta a emoção
Perguntam da nossa vida com quem estamos pra onde vamos
Chega a fuba salta o pau bota o funge na panela
Miúda toma atenção essa é a nossa tradição
Nossas kotas tantas vezes têm histórias pra contar
Mugimbos de antigamente receitas de outros tempos
E às vezes por um minuto ficam todas sorridentes
Quando a gente fala certo a gíria da nossa terra
Bota charme na conversa ai conquista seu coração
Diz-lhe que está mais bonita que tu vais ver que ela fica
Quando a distância invade e a velhice que chegou
Os mauindos doloridos pela longa caminhada
E a gente não liga a nada segue a vida sem lembrar
Que se hoje temos vida foi preciso alguém nos dar
Nossas kotas volta e meia dão a volta a emoção
Perguntam da nossa vida com quem estamos pra onde vamos
Chega a fuba salta o pau bota o funge na panela
Miúda toma atenção essa é a nossa tradição
E às vezes por um minuto ficam todas sorridentes
Quando a gente fala certo a gíria da nossa terra
Bota charme na conversa conquista seu coração
Diz-lhe que está mais bonita que tu vais ver que ela fica
Quando lhe vires num canto cabisbaixa entristecida
Pede-lhe só pra contar malambas da sua vida
E se lhe vires chorar por favor abraça a kota
Não te esqueças quantas vezes choraste no ombro dela
Quando a distância invade e a velhice que chegou
Os mauindos doloridos pela longa caminhada
E gente não liga a nada segue a vida sem lembrar
Que se hoje temos vida foi preciso alguém nos dar

FESTÃOPaulo Flores

De sorvina entra o pato lá em cima está o gato
Que conhece as damas todas
No salão está o pavão todo bangão
Desfilando a sua banga
Toca o apito e salta um pito um alto pito
E está tudo bem se a gente tem
Tudo é mais bonito
Lá no fundo do festão um beberrão
Com um copo na mão garrafa ao lado
Com um jeito marado
A boda acaba e o mano pato
Mete na sacola a coca-cola e panquê pra levar
O gato sai com alto pito e o pavão
Pede à moça pra esperar
No canto dorme um beberrão copo no chão
Garrafa vazia que alivia as mágoas d’outros dias
A boda então chegou ao fim a keta também
Está tudo bem já não falo mais